Um lapso, um momento, um toque no relento…
Se da noite vem a chuva,
do teu olhar nasce o encantamento.
Te enxergar, te admirar em segredo,
percorrer com os olhos cada curva do teu sorriso…
A cada gesto, um arrepio,
a cada aproximação, mais intenso o desejo de estar contigo.
E talvez eu nem mereça tamanha beleza…
Uma deusa vestida de mistério,
que carrega no olhar a intensidade da natureza.
Que me faz recuar por um instante,
enquanto tudo em mim deseja permanecer.
Mulher, dona de mim,
de alma livre e coragem selvagem…
Teus braços me acolhem,
teus laços me envolvem,
e tua presença desperta em mim
uma inexplicável vontade.
Que tua liberdade jamais encontre limites,
que tua essência permaneça inteira.
E que, entre tantas vontades,
a tua seja sempre a primeira.
Pois devoção é algo que sempre hei de prestar…
Mulher, eu te admiro, te venero!
E se existe um lugar onde meus sentimentos se ajoelham,
é diante do altar que tua presença veio ocupar.
Desfaça minhas certezas,
atravesse minhas defesas,
até que eu consiga compreender…
Como alguém pode ser tão livre
e, ainda assim, ter tanto poder?
Tuas sombras procuro em cada canto,
teu perfume parece permanecer no ar…
Há algo na tua essência
que me encanta sem sequer me tocar.
E quanto mais tento compreender,
mais me perco nessa intensidade…
Pra quê?
Por quê?
Já não procuro explicação,
nem faço questão de encontrar…
SÓ SEI QUE TENS O PODER.
Ivan Placido
Fotografia: Erman Kayıkcı, Pexels.
